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Neste capítulo estudaremos
Mugshot é um termo informal em inglês usado para designar um retrato fotográfico de uma pessoa da cintura para cima. Esse estilo de retrato tem como origem as fotos de ficha policial – em que o preso é fotografado da cintura para cima, de frente e de perfil. A foto mugshot foi criada pelo francês Alphonse Bertillon, em seu trabalho na Prefeitura de Polícia de Paris, no final do século XIX. Apelidado de “pai da foto policial”, Bertillon também usava a fotografia para tentar determinar o arquétipo da fisionomia dos criminosos por meio do inventário de retratos de pessoas que tinham cometido crimes. Para isso, desenvolveu um sistema de sinalização que envolvia quebrar a fisionomia do criminoso em elementos classificáveis (a curva da orelha, dobra da sobrancelha, inclinação do queixo etc.).
Figura 41. O policial e fotógrafo francês Alphonse Bertillon.

Fonte: https://hyperallergic.com/wp-content/uploads/2016/03/alphonsebertillon01.jpg.
Figura 42. Tabela sinóptica de tipos fisionômicos, de Alphonse Bertillon.

Fonte: https://i1.wp.com/hyperallergic.com/wp-content/uploads/2016/03/abertillon01.jpg?quality=100.
No jargão fotojornalístico, esse tipo de foto é chamada de "boneco".
“Fazer um boneco", no jargão fotojornalístico, é tarefa relativamente pouco valorizada pelos repórteres fotográficos empregados na imprensa, fucionários de um jornal diário. Disputando espaço nas páginas, não é de estranhar que desenvolvam alguma resistência à tarefa, para eles prosaica, de tirar retratos, de "fazer bonecos". (RAMOS, 2011)
Na prática, o boneco pode ser uma fotografia de meio corpo – enquadrada logo acima das costelas – ou dos ombros para cima. Ainda que seja possível obtê-lo utilizando uma lente 50 mm, o melhor é fazer uso de teleobjetivas (entre 70 e 105 mm), que permitem uma reprodução natural da estrutura facial. Grandes angulares – que até podem ser usadas em outros tipos de retrato, como o retrato ambientando – são contraindicadas, pois geram distorções, e se tratando de mugshots, não há muito espaço para inovações. Evite também teleobjetivas muito longas (como a 300 mm), pois produzem um achatamento exagerado da face, dando à fotografia um aspecto bidimensional exagerado.
Figura 43. Efeito do uso de objetivas com diferentes distâncias focais em retratos.

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Pela natureza sintética desse tipo de retrato, é bom ter cuidado para não incluir no enquadramento elementos que facilitem a distração do observador. Planos frontais – mais informativos – são os mais indicados, mas também é possível posicionar o retratado lateralmente. Uma possiblidade interessante é pedir que ele que posicione o corpo em posição semilateral e, girando o rosto, olhe frontalmente para o fotógrafo. Outra variação possível é sugerir gestos com as mãos perto da cabeça, ou pedir à pessoa fotografada que cruze os braços.
Uma outra receita típica nas mugshots consiste em preencher o enquadramento com a face do sujeito representado cortado pelo meio da testa e ligeiramente acima do queixo. Outra opção consiste na publicação de séries de três ou até de quatro mugshots, com vistas frontais e laterais do sujeito e, hipoteticamente, mesmo do sujeito visto por trás. (SOUSA, 2002)
É importante tomar cuidado com o corte: evite fazê-lo sobre as articulações, “amputando” o modelo. Esse cuidado deve ser tomado em retratos de uma maneira geral.
Figura 44. As linhas verdes assinalam locais propícios ao corte. Evite cortar sobre as linhas vermelhas.

Fonte: https://fotografiaprincipiantes.files.wordpress.com/2015/05/image40.png.